| 01/09/2008
Estudo
australiano sugere restrições em propagandas de alimentos
para crianças
Uso
de brindes e de personagens promocionais deveria ser restringido.
Após analisar propagandas de alimentos voltadas para crianças,
estudo australiano concluiu que os futuros debates relacionados à
propaganda televisiva devem considerar a necessidade de se restringir
o uso de técnicas de marketing que envolvam brindes, competições
e o uso de personagens promocionais, como celebridades e desenhos animados,
além de outras técnicas de persuasão. Os pesquisadores
chegaram a tal conclusão após analisarem 714 horas de comerciais
em dois períodos distintos em 2006 e 2007.
“Embora haja uma ligação reconhecida entre altos níveis
de exposição à propaganda de alimentos não
saudáveis e problemas relacionados ao peso entre crianças,
há pouca pesquisa sobre até que ponto esta exposição
inclui técnicas de marketing persuasivas”, afirmam os autores
do estudo, Bridget Kelly, Libby Hattersley, Lesley King e Victoria Flood,
todos ligados à Universidade de Sydney, na Austrália.
Segundo o artigo que aguarda publicação na edição
impressa da revista científica Health Promotion International,
tais métodos de marketing são freqüentemente utilizados
para anunciar alimentos não essenciais para crianças, para
promover o reconhecimento de uma marca por elas e uma preferência
pelos produtos anunciados. “Personagens promocionais, em particular
desenhos e aqueles com falas, têm sido associados a uma identificação
por parte das crianças dos, e uma positiva em relação
aos, produtos alimentícios, criando um reconhecimento da marca
e uma lealdade desde a mais tenra idade”, dizem os especialistas.
De acordo com o artigo, o estudo teve como objetivo, especificamente,
mensurar a exposição de crianças ao uso de marketing
persuasivo nas propagandas de alimentos na televisão. Para tanto,
os pesquisadores gravaram as propagandas veiculadas nos três canais
comerciais australianos ao longo de uma semana em maio de 2006 e no mesmo
mês de 2007, somando 238h por estação (ou 714h no
geral). As propagandas de alimentos foram analisadas quanto ao uso de
marketing persuasivo, incluindo ofertas com brindes e competições
(ofertas Premium) e o uso de personagens promocionais, como celebridades
e desenhos animados.
Uma vez registradas, as propagandas foram categorizadas de acordo com
o tipo de alimento anunciado, segundo o guia australiano para uma alimentação
saudável, em dois tipos: recomendados para o consumo diário
de maneira a suprir as necessidades nutricionais (essenciais); e aqueles
com um percentual relativamente alto de nutrientes não desejáveis
(não-essenciais). Além disso, também foram levados
em consideração itens relacionados aos alimentos, como suplementos,
fermentados, café, chá e comerciais de restaurantes locais
e de supermercados. Toda a classificação dos anúncios
de alimentos foi conduzida por um nutricionista e validado por outro profissional
da equipe do estudo.
Ao todo, o estudo registrou um total de 20.201 anúncios, 25,5%
dos quais eram relacionados a alimentos. Neste grupo, a categoria mais
freqüentemente vista foi a de alimentos não essenciais, compreendendo
56,4% do total. Com base nos dados coletados, os pesquisadores observaram
que, durante os programas mais populares entre as crianças, havia
3,3 anúncios de alimentos não-essenciais por hora contendo
ofertas Premium (com brindes, por exemplo), frente a uma média
de 0,2 por hora durante programas mais populares entre adultos. Além
disso, a maioria das propagandas envolvendo um marketing persuasivo durante
todos os períodos estava relacionada a alimentos não-essenciais.
Na opinião dos autores, o endosso de produtos alimentícios
por personagens promocionais e o uso de ofertas Premium são utilizados
como meios de atrair a atenção das crianças para
uma propaganda e persuadi-las a pedir ou comprar um produto anunciado.
“As atuais regras que regulam o uso de personagens promocionais
e ofertas Premium na propaganda televisiva são ineficazes na prevenção
destas técnicas persuasivas de marketing durante os períodos
de transmissão mais assistidos por crianças. Entretanto,
mudanças nestas regulações já provaram ser
um assunto controverso na Austrália e é pouco provável
que sejam alteradas sem que haja uma pressão pública permanente.
Os futuros debates sobre tais regras devem considerar, especificamente,
a necessidade de se limitar o uso de técnicas de marketing persuasivas
voltadas para crianças”, concluem.
Agência Notisa (jornalismo científico - science journalism)
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